25.5° S 54.6° W – As juventudes de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este

27 ago

25.5° S 54.6° W – As juventudes de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este

Concentradas em uma mesma coordenada geográfica do mapa (25.5 Sul, 54.6 Oeste), e unidas pela Ponte Internacional da Amizade, as juventudes de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este frequentavam estabelecimentos educativos, comércios e espaços de entretenimento e turismo comuns (ao menos até início da pandemia). Por vezes, em um lado da fronteira, por vezes em outro. Podem trabalhar, relacionar-se, receber tratamentos de saúde ou residir em um ou outro lado.

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En breve serão publicadas mais análises temáticas e fronteiriças.

Mesmo com tantas semelhanças, há interesses e especificidades nacionais – culturais, sociais, políticos e econômicos -, que acompanham as juventudes e que nos permitem perceber que ora os desafios são parecidos, ora distintos. Ora são similares aos demais jovens de seus respectivos países, ora bem diferentes.

 

Por exemplo, a preocupação com o futuro, com saúde, educação e formação de família, são comuns a jovens e adolescentes. Regiões de fronteira, como a de Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, entretanto, devido às dinâmicas específicas vinculadas ao trânsito internacional de pessoas, podem apresentar maiores índices de informalidade laboral, evasão escolar, migrações forçadas e insegurança, ou seja, são mais vulneráveis. Por isso, jovens e adolescentes dessas regiões são consideradas populações importantes ao Instituto Social do MERCOSUL e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que desenvolvem o projeto Juventudes e Fronteiras no MERCOSUL também neste par de cidade.

 

Estas populações foram bastante impactadas pela pandemia, em especial em seus sonhos, desenho de projetos futuros, educação, saúde e trabalho. Esta análise também será realizada em breve e está presente na próxima publicação do projeto.

 

Mas revisemos alguns dados prévios à pandemia para entender esta população.

Proporção

A quantidade de população jovem (de 15 a 29 anos) é similar em ambas cidades: 84.228 em Ciudad del Este (28%), segundo DGEEC Paraguai 2020, e 69.104 em Foz do Iguaçu (27%), segundo Censo 2010. Mas a composição por gênero é bastante distinta, mesmo com um histórico similar: a construção da Represa de Itaipu que une os dois países e que trouxe milhares de, principalmente, homens para a região na década de 70.

 

Em Ciudad del Este a proporção é de 105,55 homens para cada 100 mulheres (DGEEC 2020), enquanto em Foz esta propoção é mais de 10 pontos percentuais menor: 93,81% de homens a cada 100 mulheres.

 

Casamento e Maternidade

Também chama atenção o estado conjugal desta população, em especial a diferença entre um e outro lado da fronteira. A proporção de homens solteiros (de 15 a 29 anos) em Ciudad del Este é de 75%, e de mulheres solteiras, é de 66,4%; Já em Foz do Iguaçu, esses índices giram em torno de 90,8% para homens e 85,4% para mulheres. Entre 25 e 29 anos, por exemplo, a projeção é de que 34,2% estejam solteiras no lado paraguaio e 70,7% no lado brasileiro.

 

Entre população unida e casada de 15 a 29 anos, em Ciudad del Este, são 33% de mulheres e 25% de homens, enquanto no Brasil, 12,8% de mulheres e 8,2% de homens. Todos os dados fazem parte do estudo publicado pelo projeto no final de 2020. O número de divórcios no Brasil entre mulheres é três vezes maior que na cidade paraguaia para esta idade: 1,8% x 0,6%.

 

Chama atenção também a diferença em relação à Taxa Global de Fecundidade de 15 a 19 anos em Ciudad del Este, que fica em 2,24, e Foz do Iguaçu, de 1,74. Ou seja, as jovens e adolescentes que residem no Paraguai tendem a casar mais cedo e engravidarem também mais cedo.

 

Formação de lares

Outra revelação interessante da pesquisa é em relação às condições dos lares em que os e as jovens são os e as chefes do lar. O índice de jovens na cidade paraguaia que residem em residências próprias é de 35,5%, enquanto 56,5% pagam aluguel; No Brasil, o índice fica em 43,4% que residem em casas próprias e 47,5% pagam aluguel. 

 

A infraestrutura de conexão de água e acesso a esgoto sanitário adequado também expõe as realidades distintas das juventudes fronteiriças. Para conexão de água via rede, 30,5% em Ciudad del Este em contraposição à 97,6% em Foz do Iguaçu; Já em relação às redes de esgoto, são 2,5% em Ciudad del Este e 76,5% em Foz do Iguaçu. No Paraguai, a maior parte está conectada a câmaras sépticas ou poços artesianos, 77,3%, índice que fica em 22,5% na cidade brasileira. 

Ocupação e Uso do Tempo

Dados pré-pandêmicos indicam que jovens e adolescentes brasileiros, em geral, estavam mais ocupados, ou estudando ou trabalhando, que os vizinhos. Em Foz do Iguaçu, homens e mulheres ocupados representavam 84,2%; enquanto em Ciudad del Este, eram 59,2%. A brecha de gênero também chama atenção. Ela existe em todas as cidades, mas no Brasil é bastante menor que em outros países analisados. Comparando Ciudad del Este e Foz do Iguaçu, 73% dos homens de 15 a 29 anos e 47,1% das mulheres estavam ocupados/as em Ciudad del Este, enquanto em Foz do Iguaçu esses índices ficam em 86,4% para homens e 81,4% para as mulheres.

 

 

Sobre o uso do tempo, a população de jovens sem condições de estudar ou trabalhar, conceito anteriormente denominado “Ni Ni”, é distinto entre as duas cidades (mas os indicadores são bastante mais pronunciados em outros pares de cidade analisados). A proporção fica entre 18,4% de homens e mulheres de Ciudad del Este sem condições de estudar e trabalhar, e 10,1% em Foz do Iguaçu. A propoção de jovens e adolescentes que só trabalham também se destaca em Foz do Iguaçu. São 60,4%, enquanto na cidade vizinha são 43%.

 

 

Dados referentes a estudo e trabalho ao mesmo tempo, também indicam que a população de Foz do Iguaçu que realiza as duas atividades ao mesmo tempo é de 23,7% em contraposição à cidade vizinha, em que 16,2% realizam as duas atividades.

 

 

Outras análises específicas sobre grupos de idade e gênero podem ser conferidas na página http://www.ismercosur.org/pt/ciudad-del-este-foz-do-iguacu-2/